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Aceita celular?
veículo: Correio Braziliense
data:19/06/07


Terminais móveis ganham poder de agência bancária e status de cartão de crédito. Até 2010, 10% das transações financeiras passarão pelos terminais móveis. Bancos devem investir US$ 3,4 bilhões em tecnologia

Uma das frases mais ouvidas por vendedores, garçons, frentistas de postos e comerciantes de um modo geral promete sofrer uma séria mudança. No lugar do famoso aceita cartão, o consumidor poderá questionar se o estabelecimento aceita celular. Se você está se perguntando como isso é possível, tenha certeza que essa realidade está cada dia mais próxima. Aliás, já chegou, pelo menos para os clientes do HSBC.

Que empresa, em sã consciência, não estaria interessada em uma base de mais de 102 milhões de pessoas? Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) até 2010 10% das transações financeiras serão realizadas em aparelhos móveis, como celulares, smartphones e PDAs. Esse percentual é correspondente a toda a movimentação que passa pelos caixas físicos das agências bancárias hoje.

De acordo com a consultoria International Data Corporation (IDC), a maior parte dos US$ 3,4 bilhões que os bancos devem investir este ano para o desenvolvimento tecnológico será direcionada para o crescimento dos negócios voltados para tecnologias móveis, ou seja, celulares. O montante é 12% maior que o investido em 2006 na área. Atualmente já é possível checar saldo, fazer transferências e até tirar empréstimos, mas o modelo de negócio ainda alterna muito de um banco para outro e o valor cobrado pelo uso da rede de telefonia celular é variável.

“Nós temos certeza que o celular vai receber a conversão de muitos serviços porque hoje quase todo cidadão tem um aparelho”, avalia o superintendente-executivo de canais eletrônicos do Banrisul, Carlos Malafaia.

Já o consultor da Febraban Luiz Marques de Azevedo, as operações disponíveis para celulares deverão ser apenas complementares ao que já existe na internet. Isso porque ainda há muito o que ser explorado pelo internet banking, já que, ao contrário do que se imagina, essa não é a categoria que mais cresce em movimentação.

A segurança também é outro quesito importante. Da mesma maneira que os bandidos encontraram um jeito de roubar senhas pela internet e clonar cartões, eles provavelmente descobrirão um jeito de burlar os mecanismos de defesa das redes de telefonia móvel.

Pagamento móvel

Enquanto bancos e teles tentam se entender, já é realidade no Brasil a alternativa de pagar contas com o terminal móvel. A M-Cash, empresa que desenvolveu uma plataforma para pagamento por telefone celular e já funcionava em lojas comércio eletrônico como Americanas, Livraria Cultura, Sacks, entre outras, chega ao mundo físico. Fizemos uma parceria com a Check Express Group, que já tem uma rede de 40 mil pontos e demos esse pontapé inicial, conta o presidente da M-Cash, Gastão Mattos. Atualmente, apenas mil do total de cadastrados oferecem o serviço. Estamos em negociação com as outras lojas, acrescenta Mattos.

O sistema não utiliza intermediários, como a operadora de telefonia ou uma bandeira de cartão de crédito, e está disponível apenas para os 4 milhões de clientes do banco HSBC. Por enquanto, adianta Mattos. O pagamento por celular é uma das estratégias mais importantes do HSBC em 2007. Agora, nossos clientes têm um leque maior de opções, explica Arno Brandes, executivo sênior de tecnologia bancária do HSBC.

Além de conta no banco em questão, basta ao cliente ter um telefone celular de qualquer marca, modelo ou operadora, seja ele pós ou pré-pago. Uma de suas características mais importantes é o sigilo das informações referentes à compra. O usuário não divulga o número de cartão ou qualquer informação pessoal, só o número do celular e sem cobrança pelo uso do aparelho, pois a ligação para a central é gratuita.

Funciona como um débito em conta corrente, mas, em breve, pretendemos ampliar nossa funcionalidade para crédito também, garante Gastão Mattos. A expectativa da empresa é que, até 2009, dez bancos brasileiros trabalhem com a nova plataforma. Neste mesmo ano, estima o executivo, haverá um volume de 20 milhões de transações e 10 mil pontos de venda credenciados.

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