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Serviços financeiros
cada vez móveis
veículo: Revista
Executivos Financeiros
data:22/05/07
A ampla difusão da telefonia no Brasil
e os avanços tecnológicos do setor aceleram
a virtualização do dinheiro, multiplicando
os serviços móveis de transações
bancárias e de pagamentos. O desafio agora
é criar modelos de negócios atraentes
para os players envolvidos.
Consolidando uma tendência que só fez
crescer ao longo dos últimos anos, a era da
mobilidade desembarcou de vez na seara dos serviços
financeiros. Bancos e demais instituições
do segmento estão diversificando cada vez mais,
em quantidade e qualidade, as aplicações
desmobile banking e mobile payment, tirando proveito
da universalização da telefonia celular
no País.
Em meio às instituições bancárias,
os dispositivos móveis hoje já suportam
numerosos tipos de transações, comuns
em canais eletrônicos como a Internet e as ATMs
(Automatic Teller Machines). "Atualmente, o mobile
banking está capacitado a efetuar toda e qualquer
operação existente, excetuando-se, é
claro, o saque de dinheiro", salienta Raul Pavão,
diretor de marketing da EverMobile.
Nesse sentido, o Brasil, que há muito se tornou
referência mundial em tecnologia desenhada para
esta vertical, está dando novamente mostras
das competências acumuladas, ao adicionar mobilidade
às transações e, com isso, aprofundar
o processo de virtualização do dinheiro.
"Nossas implementações de m-banking
estão, sem dúvida, entre as mais avançadas
do mundo", completa Pavão. Não
bastasse esse vanguardismo, as aplicações
móveis, sob a modalidade m-payment, começam
a invadir o domínio dos cartões de débito
e crédito, transformando os celulares em verdadeiras
carteiras virtuais e em PÔS (Points of Sale),
ou seja, em instrumentos de captura em redes de acquiring.
Entretanto, na avaliação dos especialistas,
se os recursos tecnológicos não mais
representam uma barreira à maior escalada.
Avanços na tecnologia e nas aplicações.
Alguns fatores básicos explicam vigorosa expansão
atual das aplicações móveis.
De cara, dados recém-divilgados da Anatei (Agência
Nacional de Telecomunicações) dão
conta de que, em março deste ano, foi ultrapassada
a superlativa marca de 102 milhões de aparelhos
celulares no Brasil. Os dispositivos são empregados
por vários segmentos da população,
incluindo camadas não bancarizadas, o que de
resto pode abrir a perspectiva de estender a elas
operações financeiras por meios wiewless.
Além do mais, desencadeou-se uma enorme mudança
cultural entre os usuários. Isto é,
a par da transmissão de voz especificamente,
eles se habituaram a anusear uma multiplicidade de
serviços e conteúdos, como SMS (Short
Message Service), WAP (Wireless Appiicatíon
Protocol), vídeos, fotos, jogos, ringtones,
entre vários outros. Essa aculturação,
sem dúvida, preparou o terreno para a disseminação
do m-banking e do m-payment.
Esses avanços nas aplicações,
por sua vez, assentaram-se na evolução
tecnológica, tanto no nível da infra-estrutura
de transmissão (redes GSM –Global System
for Mobile Communicatíons e CDMA - Code Division
Multiple Access) quanto na capacidade dos aparelhos
móveis. "Os celulares ostentam hoje grande
poder de processamento e de armazenamento, dando guarida
a serviços mais robustos, confiáveis
e user-friendiy", enfatiza Raul Pavão,
diretor de marketing da EverMobile.
Na concepção de aplicativos financeiros
ou comerciais para instalação nos dispositivos,
os fabricantes contam com plataformas de desenvolvimento
sofisticadas e flexíveis, como a J2ME (versão
da linguagem Java para o desenho de soluções
no mundo móvel), a .Net (da Microsoft) e a
Brew - Binary Runtime Environment for Wireless (da
Qualcomm).
Como não poderia deixar de ser, o quesito segurança
é um condicionante sine quanon na viabilização
das operações. Soluções
estado-da-arte resguardam hoje os aplicativos e as
transações em todo o ambiente. "O
m-banking é tão ou mais seguro que o
Internet banking. É como se os clientes estivessem
em uma VPN (Virtual Private Network)", compara
Pavão. Chaves criptográfícas
robustas, que podem ir de 128 a 2.048 bits, ancoram
o sigilo e d integridade de dados, sem mencionar os
recursos de autenticação forte, como
a geração dinâmica de senhas.No
uso de soluções móveis (ver o
quadro "Avanços na tecnologia e nas aplicações"),
a grande questão que se coloca é a melhor
definição das estratégias de
negócios a serem abraçadas pêlos
distintos players envolvidos: bancos, operadoras,
varejistas e acquirers, basicamente. Sem esquecer
a importância da fixação dos padrões
e da regulamentação na área.
HSBC: débitos pelo celular
O HSBC, desde outubro do ano passado, oferece aos
seus clientes o serviço de débito na
conta corrente, em tempo real, por meio de celulares,
fazendo uso da plataforma da M-Cash.
Mais para a frente, o banco deverá ofertar
também outras funcionalidades, como transações
de crédito, CDC, parcelamentos, entre outras.
A aceitação, de acordo com Arno Brandes,
executivo-sênior de e-business da instituição,
tem sido grande, com o clientes sendo atraídos
pela facilidade de pagar suas compras na hora, a partir
de qualquer local.
Ademais, a segurança é reforçada
porque o comprador só fornece aos comerciantes
o número do celular. “Para as lojas,
é uma forma de apoiar as vendas, além
da vantagem de a captura ter custo baixo. No comércio
eletrônico, é uma alternativa aos boletos
bancários, que na maioria não são
quitados”, explica o executivo. Hoje há
mais de 20 lojas de e-commerce cadastradas. O objetivo
do HSBC é expandir o serviço para redes
varejistas e pequenos estabelecimentos do mundo físico.
O modus operandi da tecnologia é fácil
de entender. O cliente cadastra o seu celular no HSBC
e cria uma senha. Na hora da compra, escolhe o M-Cash
para pagar e fornece o número do telefone.
A seguir, o sistema faz uma ligação
de voz (via URA) para o correntista, que digita a
senha. Uma vez validada esta última, ocorre
o débito na conta bancária, Na seqüência,
o cliente e o lojista recebem a confirmação
da venda.
A opção de colocar em operação
inicialmente apenas a função débito
se deva a uma abordagem cautelosa. “A nosso
ver, no começo não adiantaria tornar
disponíveis muitas funcionalidades ao mesmo
tempo. Optamos pelo recurso mais simples, que era
substituir o uso do dinheiro vivo, mas o road map
da plataforma nos permitirá implementar várias
outras facilidades”, indica ele.
Escolha o modelo
Conforme ressalta Gastão Cezar Mattos Júnior,
presidente da M-Cash, é a
partir do modelo negociai que se deve buscar a resposta
tecnológica mais indicada, ao contrário
do que várias vezes ocorre no setor de meios
de pagamentos: "O mercado entendeu que o mobile
é uma imensa oportunidade, mas ainda não
escolheu o caminho ideal entre numerosas alternativas
de plataformas, muito diferentes e até incompatíveis
entre si". Prosseguindo, Mattos arrola algumas
premissas a seu ver fundamentais para o êxito
nos projetos:
1)Independência de operadoras e deaparelhos;
2) Simplicidade e usabilidade para todos os perfis
de usuários;
3) Elevado nível de segurança nas transações;
4) O investimento fixo necessário deve ser
baixo, facilitando a implementação de
infra-estrutura entre os comerciantes. Tendo claros
esses condicionantes, a M-Cash, revela
o presidente, descartou o SMS (Short Message Service)
que, embora relativamente barato, não oferecia
no Brasil serviços apropriados para meios de
pagamento, dado que parte das mensagens não
são entregues em tempo real. A tecnologia contactless,
por sua vez, requeria uma solução proprietária,
instalada no chip dos aparelhos. "Isso limitaria
a utilização, além do que seria
preciso instalar um equipamento complementar na loja"
para leitura de sinais, o que quebraria uma das premissas",
declara.
Corroborando esse enfoque na universalização
do uso, Miguel Belli, diretor de soluções
de captura da Visanet, prevê que o m-payment
vai efetivamente decolar no mercado, mas impondo às
empresas nele atuantes o desafio de abraçá-lo
com o menor impacto possível. "Aldeia
é criar uma alternativa que permita que todas
ou quase todas as soluções técnicas
participem", afirma ele, enfatizando que esse
business tem de ser massivo, abrigando volumes expressivos
de transações. Implementar o sistema
A ou B e forçar todos os participantes a aderir
não é a resposta, adverte o diretor:
"Temos de trabalhar na linha do gateway, com
um mínimo de interoperabilidade e padrões
para aceitar qualquer abordagem tecnológica.
Isso vai dar massa crítica às operações".
Cabe então, acrescenta ele, definir o target
e estabelecer quem serão as âncoras do
negócio, os usuários e os emissores.
Dessa maneira, analisa Belli, tudo caminharia para
a complementaridade de redes: "Hoje as coisas
estão convergindo. O celular assume o papel
de cartão para o portador e eventualmente passa
a ser um terminal para o lojista. Mas não acho
que vá substituir o POS na ponta, que está
logrando atender a base atual".
Outra condição indispensável
é que o negócio tem de ser atrativo
para todos os players. Se uma das partes estiver insatisfeita,
lembra o diretor da Visanet, a empreitada não
engrenará. "Soluções tecnicamente
fantásticas implantadas na Europa naufragaram
dois anos depois porque participantes entenderam que
não estavam ganhando o que deveriam",
recapitula Belli. Arrematando, o especialista sublinha
que proposições que vingaram em um país
não necessariamente funcionarão em outros,
devido às singularidades na cultura e nos hábitos
de cada povo. "Não há ainda um
mercado maduro e nem uma proposta claramente vencedora.
O Japão é um case de sucesso de m-payment,
mas isso se deveu a algumas características
muito particulares de sua população",
conclui ele. Seja como for, o consenso no segmento
é de que haverá, doravante, uma forte
expansão das aplicações. "Apenas
5% do potencial desse mercado foi explorado",
na estimativa de Raul
Pavão, que vislumbra boas perspectivas com,
por exemplo, o maior afluxo de conteúdos multimídia
e a adoção de estratégias de
móbile marketing e de CRM (Customer Relationship
Management).
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