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Bancos apostam no celular
para diminuir fluxo de dinheiro e de cheque
veículo: IDG NOW
data:14/03/07
Banco do Brasil, ABN Amro e Bradesco finalizam testes
práticos e expandem ofertas de serviços
de pagamentos no celular
Diante da oportunidade de ampliar a carteira de serviços
aos correntistas e incentivar o uso do meio eletrônico
em substituição ao cheque ou dinheiro
para transações de baixo valor, os bancos
brasileiros abriram os olhos para o pagamento pelo
celular e estão colocando serviços em
prática.
O HSBC Bank Brasil saiu na frente aliando-se à
empresa M-Cash para lançar,
em outubro de 2006, uma plataforma independente de
pagamentos pelo celular, inicialmente voltada
ao e-commerce, a seus 4 milhões de clientes
pessoa física.
Com 20 lojas online cadastradas, 7 mil usuários
e uma média de 500 transações
por mês, o M-Cash agora parte
para o varejo tradicional. “Até o final
de março vamos fechar o acordo com um grande
varejista”, adianta Arno Brandes, executivo
sênior da área de e-business do HSBC.
Após um teste de conceito realizado internamente
com lojas da LivrariaCultura, em São Paulo,
no final do ano passado, a expansão do pagamento
móvel no varejo físico deve começar
em 100 lojas nas próximas semanas. A informação
vem da própria M-Cash, que
tem como principais acionistas a Megadata e a Albatroz
Participações, e por enquanto é
parceira exclusiva do HSBC.
Uma das vantagens da aliança com o M-Cash,
segundo Brandes, é a independência de
operadoras e da formulação de um modelo
de negócios mais complexo.
“Com o serviço SMS, esbarrávamos
no fato de não termos a garantia de entrega
da mensagem, bem como na dificuldade de formular um
modelo de cobrança”, argumenta o executivo.
Para acessar o serviço, o correntista deve
cadastrar seu número de celular junto a uma
central de atendimento do HSBC. No momento de fechar
sua compra online, o usuário seleciona a forma
de pagamento M-Cash e informa o número
de seu celular.
Ao receber a informação do internauta,
o lojista envia a solicitação ao sistema
M-Cash informando os dados da loja,
o valor da compra e o número do celular. Em
seguida, o M-Cash faz uma ligação
direta ao celular do cliente, que digita uma senha
exclusiva para o serviço e confirma a compra.
O valor é enviado ao HSBC como uma solicitação
de transferência da conta do correntista para
a conta do lojista. E finalmente o usuário
recebe uma mensagem de confirmação do
débito em conta, sem cobrança adicional
pela transação.
A solução atualmente baseada apenas
em débito tende a se expandir para o modelo
de crédito. “Estamos olhando para todas
as administradoras de cartões”, diz o
executivo, que ainda não sinaliza uma parceria
concreta neste segmento.
Redução do papel
Com a premissa de reduzir o uso do dinheiro em papel
ou cheque em micropagamentos, em abril, o Banco do
Brasil inicia um projeto piloto de pagamentos de delivery
pelo celular em parceria com a VisaNet. Segundo Raul
Moreira, gerente executivo de banco eletrônico
do Banco do Brasil, a idéia é lançar
o serviço em junho aos correntistas.
“A princípio serão 3 mil estabelecimentos
conveniados em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto
Alegre, no Distrito Federal e em Minas Gerais e depois
vamos ganhar escala”, informa Moreira.
Além da conveniência a vantagem do pagamento
móvel é preservar informações
financeiras do usuário. “A pessoa pede
sua pizza e só informa o número do celular,
não precisa dizer a terceiros o código
de segurança de seu cartão”, ressalta.
Como negócio para o banco, o pagamento móvel
permite a entrada no segmento de pagamentos não
presenciais, onde o uso do dinheiro eletrônico
não é uma regra. “Hoje, a não
ser que o entregador tenha um terminal móvel
de POS, você tem de pagar seu pedido em papel
[cheque, dinheiro ou vouchers de refeições].”
E por que não partir para uma plataforma idependente?
A resposta do banco, que há anos observa o
mercado de telefonia móvel, e foi o primeiro
a integrar seu mobile banking a todas as operadoras
do País, é escala.
“Acho que o pagamento móvel envolve muito
mais a questão de acordar modelos de negócios
do que integração tecnológica.
Este modelo é discutido há muito tempo.
Mas todos os testados não podiam ser massificados
porque faltava integração com as bandeiras
de cartão de credito. Tudo morria em função
de escala.”
Espelhados na estratégia de pagamentos móveis
presenciais da operadora NTTDoCoMo, os executivos
do BB também avaliam modelos de pagamento pelo
celular em compras presenciais. “Vamos apostar
no conceito ‘push and pay’ no varejo”,
afirma Moreira.
Em relação à cobrança
pelo serviço, o executivo estima que o valor
varie de 15 a 50 centavos por transação,
dependendo da operadora. “O valor chega a ser
barato diante da usabilidade do serviço”,
avalia.
Atualmente, o BB busca operadoras de telefonia móvel
para fechar o ciclo do negócio. A Brasil Telecom,
que já é parceira do banco em uma linha
de crédito e débito com a marca da operadora,
é uma potencial candidata a iniciar a parceria.
Táxi e pão de queijo
ABN Amro e Bradesco também se aliaram à
VisaNet em testes com pagamentos de corridas de táxi
e de pagamentos presenciais junto a pequenos varejistas.
Em novembro do ano passado, o ABN iniciou um teste
de pagamento de corridas de táxi com 12 veículos
que atendem os funcionários, na Rua Itapeva,
na zona central de São Paulo, ao lado do edifício-sede
do banco.“
Foram distribuídos celulares da TIM aos taxistas
pré-configurados com uma aplicação
de pagamento móvel desenvolvida em parceria
com a M-Pay”, conta Maria Regina Botter, superintendente
de produtos de cartões do banco.
Para acessar o sistema, o funcionário se cadastra
em uma área dedicada do site do ANB e escolhe
um código secreto para o pagamento móvel.
Ao final da corrida, o taxista digita o valor da transação
em um terminal, o cliente liga para um determinado
número cadastrado do serviço e cai em
uma central de atendimento automático (URA).
Ao comando da central, o passageiro digita o código
secreto e depois aproxima o celular do terminal do
taxista. “No lugar do SMS, os aparelhos trocam
ondas sonoras que identificam que o celular do passageiro
está vinculado a determinado cartão
de crédito do cliente e por fim o valor é
lançado na fatura do cartão”,
explica Botter.
Paralelamente ao teste com os taxistas, o ABN mantém
um piloto de pagamento móvel em nove estabelecimentos
comerciais que atuam nos arredores e dentro da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Desde o início de novembro, os universitários
que são correntistas do banco podem se cadastrar
na internet e usar o celular para comprar um lanche
dentro da faculdade, na Casa do Pão de Queijo
ou na lanchonete VIP, pagar o almoço no restaurante
Kiloliba, ou as cópias dos livros na papelaria
Sucopi, em frente à PUC.
Os lojistas envolvidos receberam do banco um aparelho
celular da TIM com um software criado pelo ABN em
conjunto com a Spring Wireless especificamente para
o teste.
Ao fechar a transação, o cliente recebe
um código de autorização randômico
que é digitado no aparelho do lojista junto
com a senha do serviço, para autorizar o pagamento.
Terminada a transação, o cliente recebe
uma mensagem de texto informando valor, nome do estabelecimento,
data e hora da compra.
Como foi implantado no final do ano, período
de férias escolares, o piloto foi adotado por
500 correntistas, mas a idéia é acelerar
as adesões divulgando o produto no campus por
meio de promotoras de vendas.
Tanto o pagamento de corridas de táxi como
o de bens de consumo do ABN ainda estão na
fase de ‘provas de conceito’ sem previsão
de aplicação em larga escala. “Estamos
conhecendo o comportamento do sistema e analisando
diferentes tecnologias para identificar a mais adequada
antes de colocar o sistema em prática”,
afirma Botter. O estágio, segundo ela, termina
em junho deste ano.
Crédito em alta
A experiência positiva com a venda de créditos
para celulares pré-pagos Visa e Claro pelo
celular a seus correntistas, incentivou o Bradesco
a iniciar testes de pagamentos móveis junto
a uma frota de 150 táxis que atendem os funcionários
do banco, em São Paulo.
Na prática, a aplicação que também
tem a VisaNet como parceira, difere da usada pelo
ABN. Os taxistas receberam celulares da Claro com
uma aplicação baseada em WAP 2.0.
No momento de fechar a corrida, o motorista acessa
a aplicação e digita o número
do cartão do passageiro, o código de
segurança e o valor da transação.
O pagamento é verificado pela Visa, que envia
uma confirmação via texto ao celular
do motorista.
“Pautamos o mobile banking na recarga pelo celular
e já registramos 500 mil usuários desde
o lançamento do serviço, em dezembro
do ano passado”, ilustra Marcos Bader, diretor
departamental do Bradesco. “Pelo crescimento
que observamos do ponto de vista da adesão,
esse é um processo explosivo”, prevê.
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