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Brasileiro já faz compras com celular
veículo: O
Estado do Paraná
data:29/11/06
O celular já é bem mais que um
telefone há algum tempo. O aparelho é
usado como rádio, MP3 player, console de videogame,
câmera fotográfica e computador de bolso.
E, na medida em que a conta do telefone celular começa
a trazer outros tipos de gastos além da voz (ringtones
e wallpapers, por exemplo), empresas do ramo descobriram
que o aparelho pode se transformar em um sistema de
cobrança para diversas finalidades.
Na Europa, máquinas de vendas (vending machines)
já aceitam pagamentos via mensagem de texto (SMS).
Você pára em frente à máquina,
digita um código e ela libera o produto. A tecnologia
já está disponível, começa
a ser usada por operadoras de celular e bancos no Brasil
e deve virar mania em 2007.
Os clientes do banco HSBC já têm à
sua disposição, desde o final de outubro,
um sistema pelo qual o celular é usado para a
realização de compras de qualquer lugar,
como um cartão de crédito ou de débito
funcionando à distância. “Trata-se
da primeira plataforma universal de autorização
de compras que oferece enormes possibilidades, já
que transforma qualquer celular em um meio de pagamento
em todo tipo de estabelecimento comercial”, explica
Gastão Mattos, presidente da
M-Cash,
empresa que criou o sistema.
A “carteira eletrônica” serve para
autorizar pagamentos nas mais diferentes situações.
Ao usar o sistema, o comprador recebe uma ligação
em seu celular, onde uma voz o orienta sobre a compra,
pedindo a digitação, no aparelho, da senha
previamente cadastrada junto ao banco onde o usuário
tem conta.
O banco reconhece a senha e autoriza a transação
em tempo real. A senha não fica gravada no telefone
(uma vez que o usuário recebe uma chamada de
confirmação), o que impede que seja conhecida
por terceiros, mesmo se o aparelho for roubado ou clonado.
“A senha nunca chega a transitar pela internet.
Nenhum dado pessoal do cliente, como seu nome, é
preenchido por meio da rede”, garante Mattos.
Ele diz também que tudo isso não leva
mais do que 30 segundos.
As lojas de comércio eletrônico Americanas.com,
Sack’s, MMartan e Livraria Cultura, foram as primeiras
a aderir ao sistema e estão oferecendo descontos
e promoções especiais no lançamento
do
M-Cash. A adesão de outras
lojas da internet deverá ser anunciada em breve.
O início do uso desta plataforma no comércio
do mundo físico está previsto para o início
de 2007. A projeção da
M-Cash
é de que as empresas responsáveis por
90% do volume de compras na Internet já tenham
aderido ao novo meio de pagamento em 2007.
“Existem hoje mais de 90 milhões de celulares
em operação no Brasil. Isso significa
um enorme mercado”, pondera Mattos, que estima
que, até 2009, dez bancos brasileiros estarão
trabalhando com a plataforma
M-Cash
de pagamento por celular, com um total estimado de 120
milhões de transações processadas
naquele ano. Para 2007, a empresa já espera um
volume de 20 milhões de transações.
“O foco inicial de utilização será
no comércio eletrônico, mas, num futuro
bem próximo, os donos de celulares com acesso
ao
M-Cash poderão usar seus
aparelhos para fazer compras e efetuar pagamentos em
qualquer estabelecimento do mundo físico. Para
isso, será necessário apenas que a pessoa
tenha o celular, seja correntista de um banco que faça
parte do sistema e que a loja ou outro local para o
qual o pagamento é destinado tenha conta em qualquer
dos bancos que utilizem a
M-Cash”.
Serviço está disponível para todas
as operadoras
Gastão Mattos, da
M-Cash: não
existem limitações tecnológicas.
Para Gastão Mattos, presidente da
M-Cash,
o serviço deve ser um sucesso no Brasil por representar
conforto e segurança. O promotor de eventos Paulo
Batista já utilizou o serviço para comprar
uma TV e uma torradeira pela internet. “Tenho
o costume de comprar on-line e a sensação
de segurança de fazer isso via celular é
muito maior, porque não é necessário
digitar o número do cartão em nenhum site”,
diz. Sobre o conforto, Batista diz que não vê
a hora de a solução chegar ao mundo “real”
de consumo. “Pegar um táxi e não
precisar de dinheiro para isso será muito prático.
Além do mais, não haverá mais o
risco de andar com dinheiro na carteira.
”Por enquanto, o
M-Cash está
sendo usado apenas na modalidade débito, mediante
desconto da despesa na conta bancária do comprador.
Mas a tecnologia permite seu uso também na modalidade
crédito ou como um cartão de loja, entre
outras formas de pagamento. A afiliação
dos estabelecimentos comerciais deve ser feita inicialmente
pela
M-Cash, mas prevê participação
dos bancos parceiros nesta atividade, logo a seguir.
“Não existem limitações tecnológicas
que atrapalhem o uso do
M-Cash por
qualquer telefone celular operando no Brasil, pré-pago
ou pós-pago”, disse Gastão Mattos.
“Mesmo os aparelhos mais simples ou despojados
podem ser usados no sistema. Também não
há qualquer limitação no que diz
respeito às operadoras. O usuário pode
efetuar compras por meio de qualquer operadora e não
pagará nada a mais por isso. Esta característica
reforça o posicionamento do
M-Cash
como a forma de pagamento mais universal do mercado.”Outro
diferencial do
M-Cash é o fato
de não haver qualquer custo para o cliente. O
HSBC não cobrará qualquer tarifa e o usuário
não precisará fazer uma ligação
de seu celular, pois ele receberá a ligação
da confirmação da compra da processadora,
que arcará com esse custo. O dinheiro sairá
da conta do cliente HSBC no ato da confirmação
da compra.
Arno Brandes, executivo sênior de tecnologia bancária
do HSBC, diz que a oferta pioneira de pagamento móvel
com o
M-Cash dá aos clientes
do banco conforto e facilidade para compras, transformando,
com segurança total e sem custos adicionais,
o aparelho celular em cartão de débito.O
modelo de negócio no ramo de meios eletrônicos
de pagamento via celular ameaça deixar de fora
alguns dos medalhões do setor.
O modelo internacional é baseado na participação
das operadoras de telefonia e das bandeiras de cartão,
como MasterCard e Visa. No Brasil, a reprodução
dessa fórmula tem se mostrado problemática
por uma série de motivos. A começar pela
tecnologia ultrapassada da maioria dos aparelhos, que
não possibilita a adoção dos padrões
de segurança exigidos pelas bandeiras. Além
disso, 80% dos números aqui são pré-pagos,
indicativo de que dificilmente esse cliente aceitará
pagar para fazer transações pelo celular.
Wappa oferece sistema para controle de benefícios
Outro serviço de pagamento via celular reúne
entre seus benefícios: pagamento de refeição,
alimentação, combustível, frota,
farmácia e táxi. Trata-se da Wappa, que
criou o serviço para empresas administrarem a
utilização de benefícios para seus
empregados. O estabelecimento cadastrado deve ter um
aparelho celular, acesso à internet ou pager
e o número do telefone celular do usuário
precisa estar registrado nos servidores da Wappa.
Após digitar os dados da operação
e a senha pessoal, o pagamento é confirmado para
o estabelecimento e para o usuário em tempo real.
O saldo fica armazenado nos servidores da empresa. A
empresa garante que, assim, o usuário não
terá prejuízo no caso de clonagem ou roubo
do celular.
De acordo com Luiz Peduti, diretor presidente da Wappa,
os benefícios para as empresa sque utilizam o
serviço são a eliminação
da necessidade de vouchers, a possibilidade dos benefícios
serem renovados automaticamente, reduzindo custos operacionais
e administrativos, integração dos pedidos
eletrônicos com a folha de pagamento e entrega
do benefício sem a necessidade da presença
física do funcionário. “Entre as
vantagens para o usuário estão a rapidez
e agilidade na hora do pagamento e a eliminação
dos contra-vales como troco”, afirma.
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