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Aberto para pagamentos
Afinal, o sistema de compras
via celular
é parceiro ou rival das empresas de cartão?
veículo: IstoÉ
Dinheiro
data:22/11/06
Se um cartão de débito pudesse
enxergar seu reflexo no espelho, ficaria espantado ao
ver um telefone celular à sua imagem e semelhança.
O susto maior, porém, viria ao vislumbrar o novo
modelo de negócio no ramo de meios eletrônicos
de pagamento, que ameaça deixar de fora alguns
dos medalhões do setor. O modelo internacional
de pagamentos via celular é baseado na participação
das operadoras de telefonia e das bandeiras de cartão,
como MasterCard e Visa. No Brasil, porém, a reprodução
dessa fórmula tem se mostrado problemática
por uma série de motivos. A começar pela
tecnologia ultrapassada da maioria dos aparelhos, que
não possibilita a adoção dos padrões
de segurança exigidos pelas bandeiras. Além
disso, 80% dos números aqui são pré-pagos,
indicativo de que dificilmente esse cliente aceitará
pagar para fazer transações pelo celular.
A oportunidade estava aberta a quem criasse uma tecnologia
alternativa, capaz de fazer do celular um cartão
adaptado às necessidades do mercado brasileiro.
Aparentemente, a Megadata, unidade do Grupo Ibope, está
chegando bem perto disso. Há três anos,
ela projetou uma plataforma de pagamentos eletrônicos
chamada m-cash. O negócio tornou-se tão
promissor que, da prestação de serviço
inicialmente criada, se formou uma empresa. “É
um negócio com grande potencial de crescimento.
E rápido”, afirma Gastão Mattos,
presidente da
M-Cash, que hoje é
uma companhia.
Foto: Daniel Wainstein
Gastão Mattos, presidente da
M-Cash:
"Sou um peixe estranho nessemercado ainda não
caracterizado".
O espaço que a
M-Cash ocupará
não está bem determinado. Ela reúne
algumas características das empresas de cartões
e, em certa medida, disputa o mesmo mercado. Pode fazer
o credenciamento e o relacionamento com os estabelecimentos
do varejo, como fazem Visanet e Redecard. E pode atuar
como bandeira, como American Express, Visa ou MasterCard.
No comércio eletrônico, primeiro mercado
explorado pela empresa, estará lado a lado com
essas grandes bandeiras. “Sou um peixe estranho
nesse mar. Um peixe novo, ainda não caracterizado”,
admite Mattos. O executivo refere-se à
M-Cash
como autenticadora, nomenclatura não utilizada,
até então, por ninguém do ramo.
É uma pista sobre o espaço que a empresa
quer ocupar, sem entrar (inicialmente) em grandes confrontos.
De acordo com Nilton Volpi, consultor da Profit Technologies,
aliada à facilidade de realizar operações
móveis, há a necessidade da autenticação
do cliente para garantir a segurança dos pagamentos
via celular. Justo o que a
M-Cash se
propõe a fazer.
Mattos não descarta parcerias com as empresas
do segmento. Compras podem ser realizadas através
das redes Visanet e Redecard e confirmadas pelo telefone
celular. “Nesse caso, eu viraria uma processadora
de transações e faria a autenticação”,
detalha o executivo. Em princípio, a
M-Cash
é flexível o bastante para substituir
todos os elos da cadeia de pagamentos eletrônicos,
precisando apenas de um banco na retaguarda. O primeiro
acordo da empresa, com o HSBC, explicita esse cenário.
Basta ao cliente cadastrar o número do celular
no banco, escolher o site de comércio eletrônico
e usar seu aparelho para confirmar a transação.
O valor é debitado da conta corrente. Segundo
Mattos, outra possibilidade de negócio com os
bancos é a autenticação de transações
do internet banking, como transferências e aplicações,
via celular.
Executivos familiarizados com a empresa acreditam que
o espaço que a
M-Cash procura
vai além das transações via celular.
A chave pode estar na quebra do duopólio da captura
de transações detido por Visanet e Redecard.
Os olhos de Mattos brilham quando questionado sobre
outros mercados a explorar. Cartões de bandeira
própria de varejistas e apólices virtuais
de seguro-saúde estão nos planos de curto
e médio prazos. Segundo o executivo, não
há restrição na plataforma da
M-Cash
para propor negócios a pequenos e médios
varejistas, que reclamam dos custos das grandes bandeiras.
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